A Justiça da Itália negou nesta sexta-feira (22) o pedido de extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli ao Brasil e determinou a soltura da parlamentar, segundo informou o advogado dela na Itália, Alessandro Sammarco. A decisão foi tomada pela Suprema Corte de Cassação, instância máxima do Judiciário italiano para análise de recursos.
De acordo com a defesa, o tribunal anulou a decisão anterior da Corte de Apelações italiana, que havia autorizado a extradição da ex-deputada a pedido do Supremo Tribunal Federal (STF). Até a última atualização, a Suprema Corte ainda não havia divulgado oficialmente o acórdão da decisão.
Zambelli foi condenada pelo STF a 10 anos de prisão por envolvimento na invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Após a condenação, ela deixou o Brasil e se mudou para a Itália, país do qual também possui cidadania.
Cidadania italiana esteve no centro da defesa
A cidadania italiana foi um dos principais argumentos apresentados pela defesa para tentar impedir a extradição. Os advogados alegaram que, como o Brasil não extradita brasileiros natos, a Itália deveria adotar o mesmo entendimento em nome da reciprocidade entre os países.
No entanto, decisões anteriores da Justiça italiana já haviam apontado que a dupla cidadania não impediria a extradição. O tribunal chegou a afirmar que a nacionalidade italiana de Zambelli tinha “status meramente formal”, destacando que toda a trajetória política e profissional da ex-deputada foi construída no Brasil.
A sentença também mencionava que o tratado bilateral de extradição firmado entre Brasil e Itália, em vigor desde 1993, permite a entrega de cidadãos procurados entre os dois países.
Prisão e processo na Itália
A ex-deputada estava presa desde julho de 2025 em uma penitenciária feminina localizada no bairro Rebibbia, nos arredores de Roma. Segundo informações do processo, a unidade enfrenta problemas de superlotação e déficit de servidores.
O processo de extradição enfrentou diversos adiamentos ao longo dos últimos meses. A defesa chegou a pedir que Zambelli fosse julgada na própria Itália e alegou preocupação com as condições do sistema penitenciário brasileiro.
O STF havia informado às autoridades italianas que, caso a extradição fosse autorizada, a ex-deputada cumpriria pena na Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia.
Por O Hoje









